<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097</id><updated>2011-07-30T07:20:45.567-07:00</updated><title type='text'>C(r)ônicas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-7767699838508417674</id><published>2010-04-14T00:09:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T00:12:04.389-07:00</updated><title type='text'>Tenho e não tenho silêncio</title><content type='html'>Tenho o que falar&lt;br /&gt;não tenho&lt;br /&gt;invento&lt;br /&gt;e falo&lt;br /&gt;e tento&lt;br /&gt;fugir dele.&lt;br /&gt;O silêncio&lt;br /&gt;tenta&lt;br /&gt;inventa&lt;br /&gt;e fala&lt;br /&gt;sem parar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-7767699838508417674?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/7767699838508417674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2010/04/tenho-e-nao-tenho-silencio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/7767699838508417674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/7767699838508417674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2010/04/tenho-e-nao-tenho-silencio.html' title='Tenho e não tenho silêncio'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-9105949555250085745</id><published>2010-02-23T23:58:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T13:53:06.162-08:00</updated><title type='text'>Na boca</title><content type='html'>Pela sua sopa,&lt;br /&gt;sou, eu, mosca&lt;br /&gt;me regozijo&lt;br /&gt;quando não me farto.&lt;br /&gt;bebo o enjoativo;&lt;br /&gt;teu resto me serve&lt;br /&gt;(como banquete)&lt;br /&gt;serve de deixar gosto velho&lt;br /&gt;(gosto íntimo)&lt;br /&gt;gosto,&lt;br /&gt;desgosto&lt;br /&gt;gosto&lt;br /&gt;que eu tanto gosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-9105949555250085745?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/9105949555250085745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2010/02/na-boca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/9105949555250085745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/9105949555250085745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2010/02/na-boca.html' title='Na boca'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-4439402271219795735</id><published>2009-12-23T21:56:00.000-08:00</published><updated>2009-12-23T22:01:50.290-08:00</updated><title type='text'>Não quero matá-la, lembrança.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Não se atreva a me dizer do que é feito o samba, não se atreva a me dizer! Dias quentes, noites frias, beira de rio. Em 2003, uma viagem relaxante era apenas a desculpa dada por uma alma repleta de ócio. Uma alma hedonista e sedenta: quanto mais ela tem, mais ela quer.&lt;br /&gt;           Bons tempos, devaneios que me colocam novamente na serra e diante daquela menina. Linda, mas não fazia o meu estilo, era linda. Não que eu não me farte na beleza alheia ou que isso diminua a minha, já tão escassa. O problema é a concorrência, a maratona romana a que os machos se entregam em nome de sua virilidade, de sua reputação de machos. Coisa da natureza, reminiscência de época remota, pode ser, mas eu a nego.&lt;br /&gt;           Ela, naquele momento, também. Estava cega para as demonstrações de força. Também para as boquiabertas babonas. Todos à mesa da varanda observando os seios que escapavam da blusa decotada e folgada. Esta folga, da blusa, nos presenteava com impagáveis cenas de pescoços esticados e contorcidos. A visão parcial daqueles seios criava observadores calculistas, mas a busca por ângulos precisos tornava vã qualquer tentativa de discrição.&lt;br /&gt;          Após encontrar o meu ângulo e exercitar o prazeroso, e obrigatório, exercício voyer, eu me retirei da mesa. Ela permaneceu, mas percebeu que a minha renúncia à sua imagem não era uma verdadeira renúncia, era sim um ciúme. E isso foi o bastante.&lt;br /&gt;          Quando me dei conta estávamos na mesma barraca, de duas pessoas, mas que mal cabe uma com sua bolsa de mão. Confesso que naquela noite sobrou espaço, a barraca crescia com o passar do tempo. E toda aquela beleza de mesa por um instante transformou-se num ponto de insegurança. Ela disse: “Eu tenho um problema no peito. Quando era mais nova (como podia ser mais nova?) coloquei um piercing... Bom, eu tenho uma quelóide, mas é pequena e...”; como se isso pudesse ser problema e eu agi como se ainda não soubesse.&lt;br /&gt;          Inseguranças desfeitas, o pontinho de pele em excesso era agora meu. No dia seguinte, ainda neblina da noite, eu fui embora sem beijo de bom dia. Cantarolava pra os meus hermanos: “quem se atreve a me dizer do que é feito o samba, quem se atreve a me dizer?” Nunca mais nos vimos, eu e ela, e tudo isso ficou comigo, os detalhes, as cores, seu rosto, o seu cheiro. Um cheiro sem similar, inédito, dela.&lt;br /&gt;          O medo. A lembrança está intacta, não vou perdê-la. Tenho medo apenas de um reencontro, do seu rosto mudado, da sua maioridade. Nada de substitutos atuais para aquele acaso, quero a minha lembrança aqui do lado e adolescente. Fujo da menina. Tenho medo de encontrá-la na rua, num ônibus. Não adiantaria encará-la como outra. O pavor é de que o presente invada a nossa barraca, rasque a lona e entre, penetra insano. A identidade, o nome, mistura o tempo e o espaço, cria o seu próprio fio de causalidade.&lt;br /&gt;           A maior causa de confusões na história humana é a identidade. Uma tortura seria nunca mais dormir com aquele rosto, não mais brincar com o defeito – tão desejado – no mamilo. Preciso deste ponto, sem ele M. não é mais M., B. se perde de B.. Ainda não, os dois continuam os mesmos: nunca mais a vi e só me olho de relance no espelho.       &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;           Não se atrevam a me dizer do que é feito o meu samba, não se atrevam a me dizer! Ele é feito numa nota só, mas é rico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-4439402271219795735?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/4439402271219795735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/12/nao-quero-mata-la-lembranca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/4439402271219795735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/4439402271219795735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/12/nao-quero-mata-la-lembranca.html' title='Não quero matá-la, lembrança.'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-7564280555003364481</id><published>2009-11-06T21:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T21:19:43.745-08:00</updated><title type='text'>Sossego, nunca mais.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de sobrevoar boa parte das minhas terras hoje à tarde, pisei em casa e pude ler o sagrado jornal. Com uma sensação de dever não cumprido porque mais uma vez não consegui vislumbrar toda a minha propriedade, o meu crescente pedaço de “chão do mundo”. Um único dia já não é mais suficiente, agora preciso de dois para fiscalizar os meus protegidos pés de laranja. Mais alguns anos e em três dias já ficaria apertado.&lt;br /&gt;Eu tenho uma espécie de fixação pela propriedade, admito – isso é coisa comum –, uma fixação que começou ainda nos tempos do movimento. O movimento era o dos sem terra e eu, um dos seus inúmeros integrantes. Agora eles são, para mim, como pragas que se multiplicam. Pragas para as quais ainda não inventaram um inseticida específico. Eu era um deles, comecei de baixo, mas passados dois meses eu já freqüentava o alto escalão. No topo só chegam os mais ambiciosos e essa qualidade transborda em mim. Minha avó sempre dizia: “como você é articulado, menino!”; Uma pena ela ter visto que, na verdade, eu sou é um grande articulista...&lt;br /&gt;Já com dois anos de movimento e algumas ocupações – nem sempre de terras improdutivas – no histórico, eu consegui comprar a minha primeira fazenda. Permaneci no movimento e contratei meu primeiro “laranja”, estava formado um verdadeiro ciclo vicioso.&lt;br /&gt;O ciclo: eu comprava mais terras (quase todas as propriedades vizinhas da antiga fazenda hoje me pertencem), continuava no movimento e empregava mais “laranjas”. No entanto, com dez anos de movimento eu sumi do Brasil. Percorri os estados Unidos e a Europa e fui esquecido pelos companheiros de cá. Graças a deus, esquecido, era tudo o que eu queria... Saí do movimento e, por ironia, troquei meus 15 “laranjas” por incontáveis laranjeiras.&lt;br /&gt;O motivo de ser deste registro não é qualquer arrependimento passado, mas sim a irritação causada por uma reportagem. Tenho dinheiro, terra, família. Já plantei muitas, mas muitas árvores, mesmo que todas iguais, e não escrevi nenhum livro, nem nunca quis. Ainda assim arrumam um jeito de tirar meu sossego.&lt;br /&gt;A página 8 do jornal de hoje me mostrou que lá de Washington (que eu já visitei quando larguei o movimento) a Senadora Marina Silva pretende modificar a CPI dos assuntos agrícolas. Graças à minha imunidade latifundiária, até então eu estava tranqüilo, mas o problema é que a tal senhora de óculos quer incluir o que ela chamou jocosamente de “ruralistas” nas investigações. Não gosto dessa expressão, mas até onde eu sei, ela se refere ao grupo do qual faço parte. Mas, pensando melhor eu pergunto a vocês: Será que o Brasil está realmente mudando? E por que, logo agora que eu me dei bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 de outubro de 2009.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-7564280555003364481?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/7564280555003364481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/11/sossego-nunca-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/7564280555003364481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/7564280555003364481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/11/sossego-nunca-mais.html' title='Sossego, nunca mais.'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-7483540536098357657</id><published>2009-10-06T19:37:00.001-07:00</published><updated>2009-11-06T21:20:19.983-08:00</updated><title type='text'>Mulherão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um mulherão. Um mulherão sem formas avantajadas ou gestos espaçosos. Nenhuma nota à la Billie Holiday. Tudo nela foi perfeitamente produzido e devidamente encaixado na Serra. É óbvio, Friburgo não produz rainhas de bateria em escala industrial, mas a ignorância me sussurra baixinho: “qualquer um que venha daquelas bandas é singular”. Ela jamais se prestaria a espetáculos de percussão dionisíaca, não seria confortável estampar a mulherice que carrega.&lt;br /&gt;A mulherice da branquinha em questão está na boca e nas mãos. Na boca, não necessariamente naquilo que escapa dela e nas mãos, não na força do aperto. Eu arrisco dizer: esses locais são retratos fiéis de um mulherão fundamental. Esqueçam Freud por um momento (ou até acabar essa medíocre descrição), nada de simbolismos, me refiro a duas partes em si, dois ambientes em equilíbrio.&lt;br /&gt;Ela nunca me enganou com a mansidão e a voz infanto-juvenil. Eu sempre soube que ali havia alguma coisa, – hoje eu sei – um mulherão, com toda a fartura do conjunto e da proporção. Boca e mão.&lt;br /&gt;Depois de um ano de ausência minha, ela mantinha a sua rotina, lembro-me de interrompê-la na rampa: “Hei, você está tão...”, nem diferente, nem bonita, corro ao meu repertório de adjetivos superficiais e nada ... “você está tão mulher!” Que frase mais comprometedora (!), tão impregnada de admiração e vazia de surpresa.&lt;br /&gt;– O que você disse?&lt;br /&gt;– Foi isso mesmo.&lt;br /&gt;– Ih, não entendi nada.&lt;br /&gt;– É besteira.&lt;br /&gt;Graças à aula ela subiu correndo. Eu permaneci sentado à espera de algum estímulo. Atônito e puto pela pobreza do meu vocabulário de sinônimos. Mas se tivesse mais tempo..., mesmo assim seria inútil. O que eu quis dizer só tem coisa similar por aproximação, apenas sinônimos incompletos. A adjetivação de mulher, naquela ocasião, foi abrangente e confuso. Uma escolha rápida e precisa, na medida certa.&lt;br /&gt;Talvez eu quisesse dizer algo parecido com o “Segundo Sexo”, nada de fragilidade e sem desperdício de força, nenhum sutiã à fogueira! Hoje você pode ser um mulherão, com calma e voz leve. E boca e mãos. Pena que os outros já viram esse conjunto. O espetáculo deixou de ser meu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-7483540536098357657?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/7483540536098357657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/10/mulherao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/7483540536098357657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/7483540536098357657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/10/mulherao.html' title='Mulherão'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-8102287135570819484</id><published>2009-10-03T13:29:00.000-07:00</published><updated>2009-11-06T21:20:40.478-08:00</updated><title type='text'>Gente Boa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nada mais comum nesse mundo, ou em qualquer outro, do que um gente boa.&lt;br /&gt;Difícil dar uma volta no quarteirão sem topar com um legítimo exemplar dessa ordem. Gente boa não quer profundidade, nem tem grandes projetos: ele é o que ele é.&lt;br /&gt;Perdoem, meus amigos, a tautologia, mas gente boa não admite comparações. O que seria o oposto de gente boa? Gente má? Definitivamente não. Atenção! Falta leveza a qualquer concorrente que ouse se apresentar... Gente boa é alguma coisa auto-suficiente, não precisa do outro.&lt;br /&gt;Gente boa não quer nada além do que ele traz: frescor. Gente boa não é juiz, nem réu, nem lobo nem vovozinha. Permitam fazer dele um funâmbulo, que percorre a linha que liga o paradoxo ao nada.&lt;br /&gt;Gente boa pode ser o ladrão da esquina, basta ele devolver o seu documento. Apesar do susto, foi gente boa.&lt;br /&gt;Nenhuma contradição machuca um gente boa, ele requer boa dose delas. Gente boa nunca tem ideologias. Cazuza foi um registro exemplar, quis deixar de sê-lo: fracassou. Nem o maior dos poetas conseguiria livrar-se de tal fardo.&lt;br /&gt;Ninguém: pobre, rico, santo, assassino, escapa do fato de em algum momento ter sido um... gente boa. É isso o que nos justifica.&lt;br /&gt;Gente boa não merece ser escrito, nem dito pessoalmente. Gente boa está sempre em terceira pessoa. Nunca anda conosco.&lt;br /&gt;– Tá vendo aquele sujeito?&lt;br /&gt;– Não.&lt;br /&gt;– Então, ele é muito gente boa.&lt;br /&gt;– Concordo.&lt;br /&gt;A coisa mais parecida com um gente boa que eu já vi foi o ovo da Clarice. Se bem que este carrega um mistério, oculta poderes. O nosso objeto não: gente boa é sempre um legítimo gente boa. Não se pode ser mais ou menos.&lt;br /&gt;Gente boa não precisa de qualidades. É capaz de boas atrocidades. E isso justifica a violência que tantos outros gente boas nos divulgam.&lt;br /&gt;Ser gente boa exige apenas uma condição: que antes seja gente. O meu cachorro é muito gente boa. Porque alienado como todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-8102287135570819484?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/8102287135570819484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/10/gente-boa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/8102287135570819484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/8102287135570819484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/10/gente-boa.html' title='Gente Boa'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3908065720123916097.post-1971006148104839809</id><published>2009-09-20T00:17:00.000-07:00</published><updated>2009-11-06T21:21:14.990-08:00</updated><title type='text'>Luto e ponto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Luto. Perdi uma amiga. Não sei se o luto é um sentimento, um estado de espírito ou um rótulo. Mas isso que agora está em mim é coisa sincera e triste.&lt;br /&gt;Todos os dias nos víamos, eu e aquela mulher, aparentemente ela não tem casa. Se tiver uma, não é lá que ela come e dorme. Desde que moro em Botafogo nunca a vi comendo – ela pode até comer em casa, uma comidinha rápida – mas acredito que almoce no estacionamento da Cobal do Humaitá ou na calçada em frente ao Caravela do Visconde. Isso pouco importa, ela também nunca me viu comer, nada.&lt;br /&gt;A mulher não comia mal: não é gorda, mas menos ainda é magra. Assim como eu. Um pouco suja sim, nada demais. Um pouco mais suja que eu, certamente. Nada nela lembra degradação, excesso, cachaça. Tomara que eu seja como ela. Certo ar de desilusão, ela tem, como todo mendigo. Mas isso é comum, qualquer pessoa tem um quê de mendigo. Se não pela sujeira, que seja pela solidão e pelo tal ar, de desilusão. Hoje em dia ou se é um pouco mendigo ou pouco ventríloquo. Ou muito de cada um.&lt;br /&gt;Conheci a mulher no mesmo lugar que a desconheci. Perdi a amiga no mesmo ponto de ônibus em que a ganhei. Na Rua Voluntários da Pátria entre a Conde de Irajá e a Real Grandeza. Aquele ponto, poucos metros numa rua tão grande, aquele ponto (de ônibus) sempre foi o nosso ponto de encontro. Quando dali saíamos, deixávamos de existir um pro outro. Nenhuma lembrança, nenhum pensamento, todo dia um novo encontro.&lt;br /&gt;O nosso ponto é obra de engenharia moderna, padronizado, aço e vidro, cinza, sem graça, nada aconchegante. Protege da garoa e talvez até de uma chuva com vento. Prático e desconfortável, como a vida deve ser. Quem o concebeu era preocupado com o tempo, com a velocidade, não queria ninguém ali por muito tempo. Eu sigo exatamente o script e, como o transporte coletivo da minha cidade é eficiente de causar inveja nos atrasados, eu rapidamente faço sinal, o ônibus pára, eu entro. Mas a minha amiga há muito tempo não se preocupa em ser rápida, eficiente e assim contradiz o planejamento dos urbanistas. Lá fica por horas, sentada e (Olha que beleza!) ainda dorme um sono gostoso que dá inveja.&lt;br /&gt;Boa parte da graça daquela mulher é a maneira como ela dorme, ou melhor, aonde dorme. Como consegue dormir tão bem num banco construído exatamente para evitar que qualquer engraçadinho-despreocupado-com-a-velocidade-moderna ousasse sentir algum conforto. Eu me explico. O tal banco é estreito, mal cabe uma bunda discreta, inclinado e cheio de buracos perfeitamente circulares e simétricos. Eu admito sentir orgulho em ver alguém quebrar as regras de forma tão inofensiva, com tanta discrição. Um exemplo de singularidade aos amantes dos padrões. Que felicidade!&lt;br /&gt;A outra parte, a maior, da graça da minha amiga era a sua costumeira atitude diante de mim, e fruto de tamanha consideração minha: o seu sorriso. Do primeiro ao penúltimo dia em que nos vimos, ela sorria ao me ver. Nada de risadas constrangedoras, era tudo discreto e inaudível. As pessoas de hoje não percebem mais o que não lhes berra aos ouvidos, ou ofusca a visão.&lt;br /&gt;Confesso o meu constrangimento ao primeiro sorriso. Normal, ninguém sorri pra você sem querer algo em troca. A minha amiga sim, nem uma resposta igualmente singela ela sonhara um dia receber. Mas recebeu, de forma gradativa, eu dei. O que antes era uma envergonhada mexida no canto da boca terminou como um belo sorriso cheio, com o cuidado de não emitir som algum. Ele, o som, não era bem vindo, pois poderia estragar tudo.&lt;br /&gt;Mesmo com todo o cuidado, no penúltimo dia em que nos vimos escapou de mim uma gargalhada, muito discreta sem dúvida aos ouvidos da maioria, mas não para a minha amiga. Para ela foi demais e eu tinha esperança de que não. No dia seguinte lá estava a mulher, olhou-me com um olhar difuso e nada, nenhum sorriso. Nunca mais nos vimos. Ela deixou de me ver primeiro, eu a vi uma vez mais, mas sem o sorriso já não era mais a mesma.&lt;br /&gt;Depois disso tudo eu logo descobri que o transporte da minha cidade está muito longe do razoável, eficiência então, um sonho metafísico. Aquele ponto me cansa de tanto olhar, na verdade não é mais aquele. Agora espero – espero – num ponto anterior. Perco tempo andando um quarteirão, mas é por segurança, para não encontrar mais aquela mulher. Tudo foi perda de tempo, ou ganho: agora eu demoro muito mais.&lt;br /&gt;Luto. Perdi uma amiga. Não sei se o luto é um sentimento, um estado de espírito ou um rótulo. Mas isso que agora está em mim é coisa sincera e triste.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3908065720123916097-1971006148104839809?l=suordecabiria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://suordecabiria.blogspot.com/feeds/1971006148104839809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/09/luto-e-ponto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/1971006148104839809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3908065720123916097/posts/default/1971006148104839809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://suordecabiria.blogspot.com/2009/09/luto-e-ponto.html' title='Luto e ponto'/><author><name>Veja você</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04988583013734618672</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='28' src='http://1.bp.blogspot.com/_3u8hSaSWBq8/SzMGpWL2GcI/AAAAAAAAAAM/qPwwfGbTdjg/S220/DSC_0194copy.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
